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COI recomenda volta de russos a competições como atletas neutros

O Comitê Olímpico Internacional (COI) emitiu uma nova recomendação às federações esportivas internacionais para que permitam o retorno de atletas russos e bielorrussos às competições como neutros, desde que não apoiem ativamente a guerra na Ucrânia. A decisão foi anunciada após reunião do conselho executivo do COI e reacende o debate sobre a participação dos dois países no esporte mundial.

Contexto das sanções

Desde o início da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, a maioria das entidades esportivas suspendeu atletas da Rússia e Belarus de eventos internacionais. O COI inicialmente recomendou a exclusão, mas em 2023 começou a sugerir uma via para o retorno como neutros. A nova declaração reforça essa posição a pouco mais de um ano dos Jogos Olímpicos de Paris 2024.

A guerra já causou milhares de mortes e uma crise humanitária, e o esporte se tornou um campo de tensão diplomática. Países como Ucrânia, Polônia e os Estados Bálticos pressionam para manter as suspensões, enquanto o movimento olímpico busca equilibrar princípios de não discriminação com a condenação à agressão militar.

Detalhes da recomendação

De acordo com o COI, os atletas de nacionalidade russa ou bielorrussa poderão competir como “atletas neutros individuais”, desde que cumpram critérios rigorosos: não ter vínculo com as forças armadas ou de segurança, não ter manifestado apoio público à guerra e não estar sob sanções de suas respectivas federações. Eles não poderão usar bandeira, hino ou qualquer símbolo nacional de seus países.

A recomendação não é vinculante – cada federação internacional decide se a adota ou não. Esportes como tênis, judô e ciclismo já permitiram a participação neutra em algumas competições. O COI espera que a medida seja aplicada de forma consistente em todas as modalidades, mas reconhece que será um processo gradual.

Reações

O governo ucraniano classificou a recomendação como “inaceitável” e prometeu continuar pressionando por sanções. A ministra da Juventude e Esportes da Ucrânia afirmou que a medida “normaliza a agressão e coloca o esporte a serviço da propaganda russa”. Organizações de direitos humanos também expressaram preocupação.

Por outro lado, a Rússia saudou a decisão, mas criticou as condições impostas, considerando-as “discriminatórias”. O governo russo argumenta que atletas não devem ser punidos por decisões políticas. Entretanto, muitos atletas russos já declararam que competir sem símbolos nacionais é humilhante.

Nos Estados Unidos, o Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA afirmou que respeita a autonomia das federações, mas defende que a participação seja avaliada caso a caso.

Impacto nos Jogos Olímpicos

A recomendação do COI tem peso simbólico e prático para Paris 2024. Embora a decisão final sobre participação nos Jogos Olímpicos seja do COI, ele já indicou que seguirá a mesma linha se as federações adotarem critérios uniformes. Atletas russos e bielorrussos podem competir como neutros, sujeitos a verificação por uma comissão independente.

A expectativa é que dezenas de atletas das duas nacionalidades consigam se qualificar, especialmente em esportes individuais como atletismo, natação, ginástica e luta. O COI afirma que a medida visa “proteger a integridade das competições” e “garantir que os atletas não sejam vítimas de decisões geopolíticas”.

Conclusão

A recomendação do COI marca mais um capítulo no complexo relacionamento entre esporte e política internacional. Enquanto a guerra persiste, a comunidade esportiva continuará dividida. A decisão final sobre a participação de russos e bielorrussos como neutros caberá a cada federação, e o tema certamente estará na agenda dos próximos meses até os Jogos Olímpicos de Paris.

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Redação

Equipe de jornalismo do Revelando São Carlos.