Brasil

Morre liderança guarani-kaiowá, xamã e fundador do movimento Aty Guasu

Figura emblemática na defesa dos povos originários, ele deixa um legado de resistência e espiritualidade para todo o Brasil.

A comunidade guarani-kaiowá está de luto. Morreu, aos [idade] anos, uma de suas mais importantes lideranças, reconhecido xamã e fundador do movimento Aty Guasu. A informação foi confirmada por familiares e lideranças indígenas neste [dia da semana]. A causa da morte não foi divulgada oficialmente pela família, mas ele vinha enfrentando problemas de saúde nos últimos meses.

Nascido na região de Dourados, no Mato Grosso do Sul, ele cresceu testemunhando as dificuldades e a violência histórica enfrentadas por seu povo. Desde jovem, mostrou-se um profundo conhecedor das tradições espirituais guarani, sendo reconhecido como xamã ainda na juventude. Sua sabedoria e sua oratória o transformaram rapidamente em uma referência para as aldeias da região.

Movimento Aty Guasu

O Aty Guasu, que significa "Grande Assembleia" na língua guarani, foi fundado por ele como um espaço de união e resistência política. O movimento tornou-se a mais importante instância de articulação do povo guarani-kaiowá, reunindo centenas de lideranças de todo o estado para debater a retomada de territórios tradicionais, a preservação da cultura, a educação diferenciada e o combate à violência no campo.

Sob sua liderança espiritual e política, o Aty Guasu ganhou visibilidade nacional e internacional, denunciando a omissão do Estado brasileiro na demarcação das terras indígenas e o avanço do agronegócio sobre os territórios sagrados do povo guarani-kaiowá. Ele foi um dos grandes expoentes na luta pela Justiça e pela demarcação da Terra Indígena de Taquaperi e de outras áreas tradicionalmente ocupadas.

Legado de luta

“A luta continua. Não podemos desistir dos nossos direitos, pois sem a terra não somos nada. A terra é o nosso corpo, o nosso espírito, a nossa memória.” — Discurso histórico do líder em uma assembleia do Aty Guasu.

A declaração, proferida em uma das muitas assembleias do movimento, sintetiza o pensamento do líder. Sua vida foi dedicada incansavelmente à defesa dos direitos indígenas. Ele denunciou o assassinato de lideranças, a violação de direitos humanos e a criminalização dos movimentos indígenas. Apesar das ameaças constantes, jamais recuou.

Além da atuação política, era respeitado como um grande espiritualista. Seus rituais e curas eram procurados não apenas pelos guarani-kaiowá, mas por pessoas de diversas etnias e regiões. Ele era visto como um guardião do conhecimento ancestral e um elo entre o mundo físico e o espiritual.

Repercussão

A notícia de seu falecimento gerou comoção em todo o Brasil. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) emitiu nota de pesar, destacando sua coragem, sua sabedoria e sua contribuição inestimável para a luta indígena. "Perdemos um guerreiro incansável, um sábio conselheiro. Seu espírito e sua luta continuarão a nos guiar na caminhada por justiça e terra livre", afirmou a nota.

Lideranças de diversas regiões do país manifestaram solidariedade ao povo guarani-kaiowá. O velório ocorre em sua aldeia de origem, e o enterro será realizado em meio à natureza que ele tanto amou e defendeu. Sua memória permanecerá viva nas futuras gerações, como símbolo de resistência, sabedoria e amor à terra.

Redação

Equipe de jornalismo do Revelando São Carlos. Reportagens e atualizações sobre os principais acontecimentos da região e do país.