O jornalismo tradicional enfrenta um desafio sem precedentes: a dependência das plataformas digitais. Especialistas ouvidos pelo Revelando São Carlos apontam que a concentração de poder nas mãos de poucas empresas de tecnologia está redefinindo as regras do jornalismo.
As plataformas como Google, Facebook (Meta) e Twitter (X) se tornaram os principais canais de distribuição de conteúdo. Embora ofereçam alcance global, seus algoritmos determinam o que é visto, muitas vezes priorizando conteúdo sensacionalista ou desinformativo. Isso, segundo analistas, compromete a qualidade da informação.
A receita publicitária, que antes sustentava os veículos de imprensa, migrou em grande parte para o ambiente digital. As plataformas capturam a maior parte dos investimentos, deixando os jornais com margens cada vez menores. Modelos de assinatura digital e parcerias com big techs surgem como alternativas, mas ainda incipientes para a maioria das redações, especialmente as locais.
Outro ponto levantado é a transparência. Especialistas defendem que as plataformas deveriam abrir seus algoritmos para auditoria externa, além de compartilhar dados de audiência com os editores. A regulação, como a que está em discussão no Brasil e na Europa, pode ser um caminho para equilibrar a relação.
Para os especialistas, o jornalismo não pode ficar refém das decisões de mercado de empresas de tecnologia. É necessário investir em independência editorial, diversificar fontes de receita e fortalecer o vínculo com a comunidade local. O futuro da informação depende de um ecossistema mais justo e plural.